Como é?
Sobre como é escrever uma newsletter?
Na minha última newsletter, eu abordei a minha prática com a arte. Descrevi as técnicas e vivências percebidas durante o fazer em si. Se eu fosse descrever a prática de escrever uma newsletter, provavelmente seria de uma forma muito parecida.
Eu decido que eu quero fazer uma newsletter.
Logo, eu lembro que tenho uma newsletter.
Me preocupo que eu não só quero escrever, mas deveria escrever por ter pessoas que a assinam ela.
Reflito sobre o que escrever. Se algo vem à mente e assume forma na escrita, ótimo. Se não aparece nada, me questiono sobre o motivo desse esforço todo.
O que fica claro para mim é que eu me sinto bem escrevendo. Também sinto que o desafio de elaborar um texto que vai ser compartilhado publicamente, me mobiliza. Eu gosto de escrever. Sinto que deveria escrever mais. Gosto que o que escrevo ressoe com outra pessoa. Me sinto conectado, pertencente a esse mundo em que vivemos.
Decido que vou escrever. Abro qualquer documento em branco: uma nota no Obsidian, ou um documento do Google, ou um bloco de notas no Windows. Geralmente em ambiente digital, utilizando um teclado, como estou fazendo agora.
A ideia desse texto eu só tive depois de ter começado a escrever. Quando eu abri a minha nota, eu comecei a digitar:
“Como é?”
Eu olhei a página em branco, e depois de alguns instantes escrevi:
“escrever uma newsletter?
Elaborei um parágrafo com o que eu queria dizer com “como é escrever uma newsletter?” Muitas das ideias que eu queria escrever estavam nesse parágrafo.
Outras estão surgindo enquanto eu escrevo. Ideias geradas a partir da descrição das ideias.
Logo abaixo desse parágrafo, eu comecei o texto novamente, dessa vez o que o diferencia dos primeiros parágrafos que estou escrevendo agora é o arranjo das palavras e a sequência das frases.
Voltei a ler o que já escrevi até agora por me sentir meio perdido. O que estou tentando dizer mesmo? Estou dizendo como escrevo uma newsletter, nessa newsletter. Ótimo lembrete. Vamos em frente. Não estou perdido, estou apenas dizendo o que está acontecendo.
Fiz uma pausa para pintar. Sim, estou trabalhando em um projeto de pintura, muito inspirado no que eu fiz aqui. Quem sabe posso trazer esse projeto para cá também.
A pausa me ajudou a voltar com a cabeça fresca para esse espaço. Percebi que só de ter escrito o que eu escrevi até agora melhorou meu humor de forma significativa. Confesso que não estava na melhor das disposições hoje. A arte tem dessas.
Sinto que já não tenho muito a dizer, ao mesmo tempo que me questiono se a quantidade de palavras está adequada para esse formato. Existe uma quantidade adequada? Um texto de 100 palavras já não poderia ser suficiente? Fiquei com vontade de ver quantas palavras já foram escritas, mas não me recordo como faz isso aqui no google docs. Vou aproveitar a oportunidade para desencanar desse questionamento. Vou escrever quantas palavras forem necessárias.
Percebo que estou me sentindo cansado por já estar um bom tempo aqui. Não sei quanto tempo se passou. Não cronometrei, nem notei a hora que iniciei. Se fosse pra chutar eu diria que 57 minutos, que é basicamente minha capacidade de atenção no mundo de hoje, e a duração em média de um atendimento em psicoterapia comigo, que é o meu trabalho. Atenção forjada no trabalho árduo. Talvez se eu fizer atendimentos de duas horas, repetidamente, eu consiga assistir a um filme com maior facilidade.
Ora, ora. Já estava expandindo o tópico além do necessário. De novo, o que é necessário? Deixe ali, não faz mal.
Estou satisfeito. Não tenho certeza de como o texto está e se as pessoas vão gostar ou ler até o final. Vou dar umas horinhas antes de revisar o texto e publicar. O que importa é que eu tive um momento de qualidade (mais do que 57 minutos, certamente), me diverti, melhorou meu humor e minha disposição para voltar para outras tarefas cotidianas.
Agora estou aqui pensando em como encerrar. Escrevo um fechamento, explico a intenção do exercício, deixo em aberto, proponho um diálogo. O que mais?
Na verdade, eu acabei de escrever o que esse momento de escrita proporcionou:
O que importa é que eu tive um momento de qualidade (mais do que 57 minutos, certamente), me diverti demais, melhorou meu humor e minha disposição para voltar para outras tarefas cotidianas.
Sempre que eu for escrever uma newsletter novamente eu vou lembrar disso. Sempre vou poder levar isso comigo. Foi algo que entendi porque eu me permiti explorar, expressar, de alguma forma. Fazer sentido do que se faz.



Como você escreve bem que ódio! Obrigada por me fazer chorar de rir!